Já está bem tarde, eu acho que essa vai ser bem rápida...
Eu ia tomar banho agora para ir dormir, mas eu fiquei parado na janela pensando um pouco.
Hoje eu meio que descobri que um amigo morreu, mais um amigo que se foi, mas um que talvez eu devesse ter tido um pouco mais de atenção...
Eu não sei bem o que pensar enquanto eu estava na janela ouvia o barulho contínuo de vento como se passasse por um túnel e por alguma razão eu me sentia sem ar e vim parar aqui para falar sobre alguma coisa que eu não sei bem o que e...
Ok, há algum tempo atrás eu me senti de um jeito difícil de explicar, era um mal estar, um sentimento de desaceitação comigo mesmo.
Naquela época eu fui deixando tudo de lado, era um época que eu tinha acabado de terminar o ensino médio e não sabia bem o que fazer, mas eu tinha alguma estabilidade e um trabalho, e tinha alguns jogos que eu gostava de jogar à noite, e tinha várias coisas vãs pra pensar durante horas e horas, e eu realmente pensei bastante nessas coisas...
Esse amigo faz parte das coisas que eu fui deixando pra trás, ou fazia... talvez eu tenha escrito o "faz" por ainda não ter tido a confirmação ou porque a ficha não caiu...
Eu não sei como eu devo pensar sobre isso, é certo que cada pessoa faz suas escolhas, mas também é certo que a ação de uma pessoa tem o poder de alterar coisas, a existência é percebida e funcional, mesmo que não se tenha tanto controle dos resultados.
Melhor fechar a janela...
Se eu ainda existisse, se eu não estivesse em coma... não sei se já saí desse coma... sinto que entendo melhor as coisas mas continuo deixando as coisas de lado.
...
Eu queria encontrar uma pessoa especial, mas depois de alguns pensamentos e insights, todas as pessoas me parecem especiais, será que existe algum fator novo que eu não conheça que torne uma pessoa mais especial que todas as outras?
Parece desencontrado, mas isso é sobre um pensamento que eu tive um tempo atrás, quando estava confuso e queria respostas.
Eu lembrei de pessoas que eu tinha como especiais, pessoas que poderiam ter mudado a minha vida e criado uma realidade onde eu teria alguém pra compartilhar esses pensamentos, talvez até esses devaneios que eu sempre tenho, ou talvez eu continuaria agindo de maneira autoprotetora.
Não, na verdade eu me refiro a algo maior, um relacionamento que é intimo em todos os sentidos, algo único na vida de uma pessoa porque só pode existir enquanto for único, senão é apenas um pedaço dividido em várias partes.
Mas eu lembro que dessas pessoas eu reti um olhar: de uma era um olhar como uma pergunta ou uma curiosidade, de outra era um olhar confuso e cheio de incerteza, de outra era um olhar alegre e pulsante, e esses 3 olhares me marcaram...
Pensando bem, agora eu lembro de um sonho que eu tive alguns anos atrás durante esse coma...
Eu lembro que eu estava com uma garota de cabelos pretos e curtos, e ela era tipo uma princesa que queria andar comigo pelo mundo, como em uma história que eu guardo dentro do meu coração há um pouco ainda mais de tempo.
Nós fomos até uma árvore que me lembrava uma árvore do lado de uma pequena igreja que eu ia enquanto criança(menos de 10 anos), onde eu conheci melhor a garota de olhos confusos.
Nessa árvore tinha algo como um balanço onde outras duas garotas que eram irmãs da garota de cabelo preto estavam.
Uma delas tinha longos cabelos ruivos cacheados, e ela tinha o ar de irmã mais velha, e tentava fazer a garota de cabelos pretos desistir da ideia de viajar pelo mundo, e as duas entravam em conflito o tempo todo...
Enquanto isso, a terceira, que era uma garota tímida de cabelo azul e liso, se levantou e começou a patinar em um lago de gelo(sim, houve alguma mudança no cenário, mas pareceu muito natural), e enquanto ela patinava, os flocos de neve caíam e as garotas brigando começavam a olhar hipnotizadas para a dançarina, que tinha movimentos tão belos que não consigo descrever, era realmente um sonho.
Curiosidade, incerteza e alegria foram os olhares que me cativaram(ou pelo menos o que eu penso deles nesse momento), e pensando bem, foi bem parecido, apesar que não consegui associar bem a alegria, eu lembro que eu tinha um sentimento de aceitação com ela...
Ela sorria mas talvez não seja sobre alegria e sim sobre aceitação, saber que alguém sorri de volta...
Então eu deveria dizer, curiosidade, incerteza e aceitação?
Mas aceitação ainda não é a palavra certa...
Deveria ser uma palavra que retratasse um sentimento de ser aceito e não de aceitar, mas não relacionado a pertencer...
Mas também não pode ser algo como uma confirmação, pois sei que era algo além disso, talvez algo como se sentir querido...
É normal ser tão difícil encontrar uma palavra para o sentimento de se sentir desejado por alguém? Será mesmo que estamos tão presos a uma espiral de interesse que esse tipo de sentimento não é tão considerado pelos que se tornam adultos e escrevem para milhões, é realmente algo lembrado apenas por pessoas como eu que escrevem blogs para ninguém, tendo devaneios às 2 da manhã?
Eu amava aquela pessoa, mas mesmo criança eu tinha muitos receios sobre o que meu pai iria dizer, mas quando eu penso sobre isso, eu queria ter ficado com ela por um tempo, pra saber como é quando alguém quer você, algo que eu não consigo acreditar que tenha acontecido outra vez depois daquilo.
Hoje, quando uma garota me diz que gosta de mim do outro lado do computador, eu não sei se ela realmente gosta e não sei o que ela viu, não foi que nem a terceira pessoa que me olhou nos olhos e insistiu em sorrir todas as vezes.
Se eu pudesse criar uma palavra para esse sentimento, eu diria que ele é como uma dança, eu diria que ele é alegre e prazeroso, e diria que ele é imersivo e desejável, e que é certamente inesquecível.
Não sou mais criança, quando olho pra alguém, a pessoa sempre vai sentir algum receio.
Quando éramos crianças, tínhamos a oportunidade de criar esses relacionamentos, ter essas experiências livres, e hoje, quando tento ser como eu era quando criança, eu me deparo com uma montanha dos mesmos receios que imagino que a outra pessoa também tenha.
E talvez, pode ser que essas coisas dentro de cada um criem um empecilho pra esse momento quando se olha pra alguém, e adultos nunca se aceitam, estão sempre vendo barreiras para chegar até o outro, e quanto mais próximo alguém chega, mais difícil de torna olhar dos olhos...
Acabei estendendo tudo isso pra chegar até aqui, algo sobre olhar nos olhos de alguém, só que não é apenas isso, é se conectar ao outro, se sentir parte com o outro e descobrir algo novo, em um movimento que não deve parar...
Esses olhares foram os que me marcaram, parece mais estranho que o contexto tenha sido mais romântico, mas eu nunca fui de olhar muito nos olhos, então acabou que essas foram as exceções, e também todas aconteceram antes dos 12 anos.
Agora que percebi que tangenciei bastante, mas todo esse assunto era algo que eu não queria deixar passar, e na verdade é bem mais complexo, na verdade mesmo eu só desenvolvi mais sobre a terceira pessoa agora, antes eu tinha pensado mais sobre a primeira e a segunda, talvez seja algo pra tentar devanear depois...
Mas todas essas pessoas foram pessoas que eu tive que deixar para trás.
Em todos esses casos houve a questão do olhar que dizia algo que as palavras não podem expressar, e isso só foi possível porque existia algum relacionamento afetivo ou a ideia dele em algum nível
Eu me importo com você
Eu quero entender mais sobre você
Eu gosto de você
O que você pensa sobre mim?
O que você espera de mim?
O quê você vê de especial em mim?
Com esse olhar, eu sei que você decidiu me amar...
Foi daí que surgiu toda a minha ideia sobre o olhar, sobre se conectar com a outra pessoa, o resgate ao tão aclamado amor pelo próximo que se traduziria em uma conexão; apesar da ignição ter sido um pensamento egoísta, algum senso de empatia resgatara o amor.
As pessoas tratam o amor que culmina em um romance e o amor que culmina em amizade como duas coisas até mesmo opostas.
Eu penso que não é bem assim, a pessoa que se tem um romance é a pessoa que se tem níveis de relacionamento mais profundos, então é mais fácil de reter as experiências de conexão a partir dela.
Talvez a outra pessoa seja um filho, mas ainda não tenho nenhum, então não posso saber...
E ainda existem os amigos, que tive alguns importantes que também tive que deixar para trás; mas no caso deles não acho que foi o olhar que me marcou, mas a presença que tinham em momentos onde eu teria ficado solitário que não os tivesse. Apesar que no final, quase todos ficaram distantes..
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