domingo, 19 de novembro de 2017

Devaneio #4 (ST - Âncora e Corrente)

Esse tem que ser rápido, vou por o conceito aqui pra lembrar de destrinchar melhor depois(na verdade parece ser uma coisa tão óbvia que deve ter explicações bem mais elaboradas).

Eu tinha pensado nisso outro dia, mas hoje deu a sorte de uma discussão me trazer a esse assunto.

Basicamente a ideia é que existem "âncoras" que são estabelecidas durante a criação de uma história.

Esse termo "âncora" remete às âncoras de links e de texto que existem em alguns sites, não é a âncora de um navio, e pensei nesse nome justamente porque funciona de um jeito muito similar:

Algumas palavras e expressões trazem ao leitor um link para lembrar de algum acontecimento ou algo previamente estabelecido.

Se eu dedicar uma página para descrever o quarto do João, quando eu citar o quarto do João em outro lugar da minha obra, o leitor vai lembrar ou pelo menos ter acesso à descrição do quarto, que pode funcionar como um contexto que explica algo.

Nesse caso a âncora é a descrição do quarto de João, a palavra/expressão chave é a corrente(ou link), quando o leitor tem acesso à corrente, ela o leva direto para a âncora, e depois ele volta para a sequência da história.

Tendo isso em vista, a experiência de leitura não é algo exatamente linear, as correntes fazem o leitor voltar momentaneamente para uma experiência/conhecimento de lore anterior, é possível criar um momento de terror como âncora e associar ele a uma palavra chave(como o nome de alguém ou de algum lugar, ou mesmo de um objeto) como corrente, e em algum momento eu posso usar essa corrente pra trazer de volta aquilo que havia sido criado anteriormente para uma cena totalmente distinta.

Talvez também seja possível associar uma corrente a algo que vá acontecer no futuro, seria como uma âncora inversa(ok, agora estou pensando na âncora de um navio, deve ser porque a âncora dos links também foi pensada com esse nome por ser similar à dos navios), a corrente cai fazendo um barulho insistente, quase como se ela estivesse alertando que tem uma âncora enorme vindo por aí.

Isso me lembra que em Dr. Who tinha uma frase que se repetia bastante, e depois ela destrinchou em um arco. Às vezes uma obra vai citando algo e só mostra essa coisa depois.

Se a âncora cria um conteúdo que a corrente vai fazer referência, o fato dela vir antes ou depois da corrente mexe com a interação durante a leitura:

Quando a âncora vem antes, ela dá sentido imediato à corrente e você tem uma leitura mais bem definida;

Quando a âncora vem depois, ela posterga o sentido da corrente e você tem uma leitura mais pautada pelo mistério/confusão.


Bem, agora eu não vou chegar a conclusões muito mais fortes sobre isso, vou parar por aqui:

- A âncora é o conteúdo
- A corrente é o agente capaz de fazer referência à âncora, ela precisa estar ligada à âncora, ou seja, é preciso ter sido determinada dentro da âncora de forma marcante pra criar uma ligação bem forte
- A âncora pode se apresentar bem depois da corrente, nesse caso é necessário mostrar que a corrente pertence a uma âncora, apesar dela ainda não estar sendo vista diretamente
- O uso da âncora e da corrente altera o fluxo de leitura

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