domingo, 12 de novembro de 2017

Virtua #0.1


Dormir é viver!

Esse é o lema de dos jovens fascinados por Virtua.

Virtua é um universo virtual que só pode ser acessado através de um chip neural, onde milhares de pássaros coloridos voam no céu, flores estão presentes por todos os bosques e avenidas, astronautas exploram planetas em galáxias distantes e todo tipo de coisa está à distância de um pensamento.

O dia em Virtua é sempre luminoso, o céu é limpo e as poucas nuvens são divertidas. É um lugar sem fome e sem dor, onde as pessoas vão para serem felizes e sentirem os prazeres de viver.

Mas um jovem acabou de sair e acorda em sua cama mofada.


Quanto tempo faz?

2 meses hoje?

Preciso pegar mais alguma comida , mas está chovendo, as ruas fedem quando chove.

Ele pegou um guarda-chuva velho e saiu.

...

Esse fedor... faz tempo que não sinto um cheiro tão real.

A rua está tão deserta... 

A água que corre por ela reflete a luz amarela dos postes, é como se fosse um rio de ouro, é como se eu estivesse em Virtua, mas essa sensação é bem diferente.

Essa luz me dá vertigem, o cheio me entorpece, o gemido das minhas botas molhadas faz meus ouvidos tremerem...

Em Virtua tudo é tão real, mas essa sensação... Me incomoda tanto...

O mundo real não é feito pra mim, não tem porquê se apegar a esse lugar, nem a es...

Ele passa em frente a um beco estreito de uma vila de casas e olha para a figura de uma mulher, sua roupa é velha e desgastada e sua figura pálida e magra, ela esticava o braço esquerdo em diagonal e segurava a própria nuca com a mão direita enquanto se esforçava, de olhos fechados, para sentir os pingos de chuva; ela estava em um estado de êxtase enquanto sua respiração era profunda e suave.

Ela é... real?

A mulher abriu os olhos enquanto seu rosto ainda estava na direção do céu, uma expressão de surpresa apareceu lentamente em seu rosto ao virar para a direção de seu admirador, e os dois se olharam por algum tempo.

Por um momento, o coração dele bateu mais forte e ele sentiu medo do que estava logo à frente, enquanto ele permanecesse alheio ao mundo real, ele poderia ter uma vida de sonhos em Virtua, o mundo real não lhe pertencia, era um lugar proibido de onde toda a sua gente deveria desaparecer.

"Qual é o seu nome?" Ela perguntou num impulso de coragem.

"Nome..."

Ele não conseguia responder, além de se sentir confuso, a vida toda só havia sido chamado por apelidos, e ele não poderia dizer a ela as coisas do que era chamado.

"Você tem um nome?" Ela perguntou com um tom preocupado que fez o coração dele voltar a bater mais forte e seu rosto corar. 

Ela sabia que alguns indesejados eram tão solitários que esqueciam o próprio nome, e se sentiu triste por ele, ela não sabia era que ele tinha acesso a Virtua e o motivo não era bem solidão, mas ele tinha uma rejeição às coisas que o lembravam o mundo real, como um nome, por isso ele nunca se preocupou em ter um.

Droga! eu preciso de um nome normal, um nome de verdade que não faça ela pensar que eu sou algum tipo de aberração!

Mas em Virtua eu posso ser o que eu quiser e quem eu quiser, por que eu precisaria de um nome? Por que eu estou me preocupando com isso? Eu deveria apenas deixar essa maluca falando sozinha, ela não sabe que vai pegar um resfriado ficando na chuva desse jeito?

O que eu estou fazendo? Por que eu me sinto assim?

Ele respondeu num impulso:

"Lam-Ron! M-mas pode me chamar de Lam!"

Ela sorriu.

"Que nome engraçado, meu nome é Liz!" Ela respondeu enquanto se aproximava dele.

"Liz, como aquelas flores em Virtua?" Ele questionou surpreendido, cada descoberta sobre aquela mulher parecia como um achado inestimável, cada palavra dela criava uma sensação de prazer instantânea em seu coração como uma onda de choque.

Ela se aproximou enquanto olhava os olhos dele, a luz amarela refletia em seu rosto, reticulado pelas gotas de chuva, seu olhar era gentil e acolhedor.

Com a aproximação, ele podia sentir que a respiração dela também estava acelerada.

"Você não sabia? Também existem flores no mundo real..."

Por um momento, ele poderia jurar que o fedor da rua havia se transformado no perfume de uma flor.

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